os ídolos da minha geração morreram pobres
abandonados
drogados e jogados em becos escuros
perderam a alma, perco a minha
não a tive nessa noite
me transformo na fumaça do meu cigarro de cravo
trago, prendo, solto
solto-me por aí, sem destino
sem amor
me perdoe, ainda não acredito no amor - fardo dos mais cruéis
sonhos irreais de apaixonados
a perversa invenção da mente humana
apática
não sinto nada, sou sombra
em boeiros
em becos
a eterna sombra que observa a vida
sofre sente sofre chora grita como uma criança recém parida
do momento imperativo faço o nascimento
do outro lado do muro
serei sempre a que não cruzou o muro
a que gritou sem grito, que sentiu sem viver
a não compreendida
a puta louca infeliz modernista suburbana
a que nunca teve lar
a fumaça de cigarros alheios.
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