sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Natimorto.

Vejo uma grande depressão coletiva, um universo e momento de profundo desespero compartilhado. Os geniais e sensíveis optaram por morrer. Grandes sábios, abandonaram o mundo antes do colapso total. Não é possível que a vida se mantenha por muito tempo diante de tanto espetáculo. Grito: Há alguém real por aí? Real, digo eu, o que se abre para sentir. Sensibilidade inteligente é cotidianamente esmagada. Cobranças. Prazos. Supostas necessidades. O que faço eu me sujeitando a tudo isso? Por que tu, amigo, abaixa a cabeça passivamente? Caminho com marcas no pulso, sou uma grande hipócrita! Também não sei, companheiro, se há algo real em mim. Também me vejo como você, estou, também, vendendo minha alma com a plena consciência do ato terrível. Camarada, não conheço pessoas reais. O único espirito largo que cruzei, nas idas e vi(n)das, me foi roubado pelo destino cedo demais. Os sensíveis preferem morrer. Lembro de você, amor, das tardes largas de puro contato humano. Me espanto: O êxtase da minha conclusão é que não há, confie em mim, mais humanos.Cada alma tem seu preço. Cada relação, entrelaçada de grande superficialidade, a sua data de validade.  O sono me parece mais confortável do que encarar esse dia quente e previsível. Viver incomoda. A consciência de que traço meus passos de forma errada e os traçarei assim até a morte, é devastadora. Há em mim, um mundo completo, distante do que vejo lá fora. Olhar pela janela deixa mais claro que nunca serei daqui - independente de quantas cidades morar, não sou do mundo orgânico. Quero, me entenda, o mundo da minha mente. Como um natimorto, nascer e morrer no conforto de um útero, sem a experiência terrível

Um comentário: