"Deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoas"
[Gota D'agua - Chico Buarque]
Pego-me a pensar nos meus planos, nos meus desejos. Algo que já se tornou recorrente nas minhas madrugadas regadas a chás de amora. E licores de menta. Na realidade nunca pedi muito, só queria mesmo é ser uma frase bonita. Ser uma história completa sem muitos erros. Ser aquele texto limpo, você me entende? Queria mesmo era sentar do lado de alguém e poder cantarolar todos os poemas que tenho decor do Bandeira. Entre sorrisos dizer - Aqui não sou feliz. Mas quem sabe um dia eu me torne. Me torne um ser leve e saia por aí, com meu violão debaixo dos braços.
Queria não ter te beijado antes de perguntar sua cor preferida e se gostava do Chico. No meu plano você não preencheria todas as lacunas - as muitas lacunas- que tenho. Meu plano não era ter deixado você conhecer minhas manhas todas e nem te confessar que sempre esperei por alguém que trouxesse na ponta da língua Poética. Queria mesmo, é ter te dado mais espaço. Queria mesmo, ter te deixado solto para que você pudesse ver com teus próprios olhos como é caminhar comigo. Como é difícil caminhar por coisas tão sensíveis como os meus sentimentos.
Não queria ter te deixado pegar minha mãe naquele dia no parque. Não queria ter te deixado dar retalhos de poeminhas. Você não me entende - comigo tão pouco se transforma em tão muito. Você tem que saber que eu ainda sou a menina de Vinicius. Mas agora, queria tanto que ficasse aqui pertinho. Mas, te confesso, não queria ter todos esses espaços que te encaixam tão perfeitamente junto comigo. Não queria parar no meio das ruas, e te esperar olhando baixo e sorrindo. Você tem que saber que me assusto muito fácil, amor.
Eu queria mesmo, é que você percebesse o quanto de sonho que carrego. Ainda quero os almoços em domingo, com uma família enorme e trezentos cachorros. Ainda quero teu corpo junto com meu e não precisa nem ser em um dia de domingo. Tua voz poderia acompanhar meu violão velho que está jogado no meu quarto, quando você quisesse. Basta apenas você querer, vê o quão pouco falta?. Quero-te desarrumando todos os meus livros, que estão em uma perpetua desorganização. Vamos, me dê a mão. Não me deixe sumir novamente.
Me desculpe, amor, não sei amar assim pela a metade. Como é que se diz? "Amor-livre" não sei praticar. Também, não vou mudar algo, assim, tão meu. Pequena-menina-com-mundo-de-sonhos. Meu plano, era de que você me quisesse mesmo assim. Mesmo descobrindo que ainda choro pra caramba em Crime e Castigo. Mesmo sabendo que assisto todos os sábados aos filmes de Glauber.
Meu plano era que esse texto fosse bonito, que fizesse muito sentido nosso amor barato. Queria é mesmo, que você estivesse aqui. Juntinho. Para bagunçar meu cabelo enquanto critica Neruda. Enquanto diz que me entende, que sente como eu o amor por essas histórias. Que eu sou sua Dora. A Dora, que um dia foi de Pedro Bala, mas que hoje é tua. A Dora-mãe, a Dora-noiva.
Quem sabe um dia os santos da Bahia nos abençoe. Que um dia ainda, possamos ficar juntos no Pelourinho lendo Amado.
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